Poema – Lúcia Fenelon | Escritora e Cardiologista https://luciafenelon.com.br Lúcia Fenelon é muitas em uma só: esposa, mãe de um casal de filhos, médica cardiologista, poetisa, observadora de pássaros e da natureza. Tue, 02 Dec 2025 14:26:42 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://luciafenelon.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Logo-Lucia-Site-Preto-150x150.png Poema – Lúcia Fenelon | Escritora e Cardiologista https://luciafenelon.com.br 32 32 Eles, o rapaz e o cachorro https://luciafenelon.com.br/eles-o-rapaz-e-o-cachorro-2/ https://luciafenelon.com.br/eles-o-rapaz-e-o-cachorro-2/#respond Tue, 02 Dec 2025 14:26:41 +0000 https://luciafenelon.com.br/?p=1284

Eles, o rapaz e o cachorro

Um cachorro.

Um rapaz.

Benício, seu nome.

Pastor malinois, o cachorro.

Chegou ainda filhote pro rapaz

cheio de gracinhas.

Impossível não sentir uma brisa de alegria.

Brincavam, corriam, rolavam…

Os laços cresceram junto com eles

Altivos, elegantes, ágeis, indomáveis, inquietos.

Um a sombra do outro.

Reconheciam-se pelo cheiro.

O cachorro gostava de dormir aconchegado

às roupas já usadas do rapaz.

Quintal verdinho, corria pra lá e pra cá.

Assustado sempre!

Gostava mesmo é de espiar dentro da casa, só pra vê-lo.

Se abraçavam como dois humanos.

Vinha de mansinho e, de repente, já no colo!

Esquisito ele, já tão grande, se aconchegava

ficava imóvel, tentando congelar o instante.

Se olhavam profundamente…

Se entendiam num relance.

Havia um quê de obsessão: ambos passionais.

Mas felizes, simplesmente.

Teimosos por demais.

Os dois, bonito de se ver…

Jovens, fortes, saudáveis…

Vida a perder de vista! 

Um dia, como outro qualquer

tomaram o café da manhã, como de costume.

Na saída do rapaz pro trabalho, um último olhar

não reconhecido; despediram-se.

Cada um no seu canto…

Do nada, tudo começou: 

Festins desordenados

bambus secos queimando

no quintal ao lado

estalidos agudos e altos, intermináveis!

Ele só, audição aguçada, medo, pânico, desespero…

Adrenalina? Muita! Pavor!

Os tiros não paravam, se multiplicavam.

De repente, soltou-se da coleira, num movimento fatal.

Com muita dificuldade e esforço

ainda correu desvairado, mas…

partiu, precocemente, lá no cantinho, escondido

deixando a impressão de história inacabada.

Sem vida, o rapaz o encontrou.

No chão, a camisa vermelha usada na noite anterior.

Coração, assim como os bambus secos estalando

queimou e gritou. 

Carregou com todo cuidado o amigo

como se vida ainda ele tivesse

mas já não respirava.

Olhos apagados, já não suplicava seu colo.

A ração, o restinho da água lembravam a rotina.

Sepultou, incrédulo. 

Vida e morte juntas, seu amigo.

Peito abafado.

Limite humano e da vida.

Leis do universo.

Agora, viver sem ele!

Trabalhar a saudade

escutar o silêncio

não ouvir seu movimento

não sentir seu olhar

não viver mais sua presença

naquele espaço físico da casa com quintal.

O amor sempre pede coragem da gente?

Amar de novo?

Eles, o rapaz e o cachorro. Poema de minha autoria.

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Borboleta https://luciafenelon.com.br/borboleta/ https://luciafenelon.com.br/borboleta/#respond Fri, 11 Jul 2025 22:54:30 +0000 https://luciafenelon.com.br/?p=1275 Uma borboleta, linda, de asas vermelhas… uma mensagem…

…Talvez sua jornada agora seja te amar e não amar alguém…

Parei ali, hipnotizada, confusa!

Como assim?

Se amar,

Se conhecer,

Se cuidar,

Se descobrir,

Invadir os cantinhos da alma e mente…

Acender a luz,

Abrir a janela,

Deixar o vento, a beleza e a liberdade entrar,

Encontrar e passar pelo portal,

Atravessar a ponte,

Colher as flores, as de Monet, lindas,

Ouvir os pássaros,

Aquecer na fogueira,

Andar ao sol, descalça na areia,

Dissecar o coração,

Abrir o peito, respirar,

Ajeitar o corpo, olhar para frente.

E saber que o passado, Belchior, é uma roupa que não serve mais.

Vestir roupa nova, sem medo,

Viver o hoje comigo mesma e finalmente me conquistar, fazer as pazes comigo mesma, me amar…

…e só então amar alguém?

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Palavra https://luciafenelon.com.br/palavra/ https://luciafenelon.com.br/palavra/#respond Fri, 11 Jul 2025 22:54:01 +0000 https://luciafenelon.com.br/?p=1273

Palavra dita

cantada

falada 

pensada

escrita, 

trocada

sussurada

fluida

a nuclear 

a fatal

a cheia de vida

a que escapa, a que evapora 

a mal dita

a que vem cheia de reticências parágrafos e vírgulas 

com e sem acentos

a trêmula 

a última 

a do olhar que vale por mil 

a do silêncio que fala

Palavra de, com e por amor

Palavra pequena

Palavra encantada

Palavra ao vento

Palavra de honra 

Palavra de homem…

E aquela na ponta da língua que não chega

e a que falta na hora H

A suprema e a atemporal …  

A Palavra … 

de Deus , a sagrada

dádiva do Criador

Com tantas, ainda me faltam e por vezes …

a essencial e significativa que só agora consegui ouvir, escrever e sentir

 O Silêncio da Palavra

A Palavra do silêncio da Palavra…

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Maktub https://luciafenelon.com.br/maktub/ https://luciafenelon.com.br/maktub/#respond Fri, 11 Jul 2025 22:52:14 +0000 https://luciafenelon.com.br/?p=1271 Parecia estar feliz e até me amando…

De repente, perdendo a temperatura,

desfocando, apagando-se e ficando sem forma, sem cor e sem pega.

O cruzar oceanos, escalar montanhas, andar na chuva para o encontro: passado.

O “não” ocupando sorrateiramente o espaço do “sim”.

As mensagens minguando.

É…

Não foi dessa vez.

Tenho que aceitar, incorporar, mudar de capítulo.

Entender que não deu para ir além das palavras, não consegui ler suas vírgulas, pontos, espaços e travessões.

Réveillon na vida, fora de época.

Deixar para trás o que se tornou pesado e o que não deu certo.

Ficar apenas com o aprendizado, acertar as contas com a dor e curar.

Deixar o pensamento nele e dele entrar e sair rápido, até que automaticamente se transforme em lembrança.

Alcançar a liberdade, de novo em voo solo, alcançar a beleza e a força do recomeço.

Aprendizado, construção, evolução…

Maktub!

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Poesia https://luciafenelon.com.br/poesia/ https://luciafenelon.com.br/poesia/#respond Fri, 11 Jul 2025 22:51:00 +0000 https://luciafenelon.com.br/?p=1264 A arte é poesia, é coração, pulsante, oxigena cada célula , aquece, nutre e colore 

transforma a vida

Transcendendo a vida

Acrescenta o oitavo sentido 

Percebe, além da cadeira à minha frente

Cura a alma e o corpo…

Acrescenta sorrisos e encantos, emociona pessoas, convida a refletir … vida, morte e amor, missão e obsessão 

arte canta

arte compõe 

arte esculpi

arte espalha

arte desenha

arte pinta

arte escreve

arte declama

arte é ciência  

Transborda o humano em nós 

e nos remete a paz!!

Arte é poesia

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Sol https://luciafenelon.com.br/sol/ https://luciafenelon.com.br/sol/#respond Fri, 11 Jul 2025 22:49:47 +0000 https://luciafenelon.com.br/?p=1261 Os dermatologistas que me desculpem.

Tomar sol é quase um ato divino.

Sentir aqueles raios solares envolvendo e aquecendo o corpo numa espreguiçadeira ou num parque pela manhã: sempre amei.

Primeiro, vieram os bronzeadores — químicos, artesanais e até “naturais” — que causavam tragédias agudas e para a vida inteira na pele; com sorte, davam aquela cor dourada.

A Hipoglós era usada nos rostos desavisados com queimaduras de primeiro grau.

Depois, vieram os protetores solares, cada vez mais potentes; e agora, estamos na era da popular vitamina D, do insulfilme e do “Podendo, evite o sol!”.

Meus filhos, quando bebês, tinham hora marcada para o banho de sol, e era um encantamento só, quase um ritual.

Saíamos no início da manhã.

Abaixávamos a capota do carrinho e íamos tirando as roupinhas, expondo seus corpinhos numa dança fantástica… E o bebê ali, encolhia as perninhas, brincava e até tomava água!

Era um gozo só.

Momento mágico, principalmente quando eram mãe e filho.

Ficavam ali uns minutinhos e voltavam para casa, ela, a mãe, satisfeita de ter suprido com maestria a necessidade solar do seu bebê.

Agora, me parece que não é mais assim: mãe e filho se contentam com as gotinhas diárias de D.

O Rei Sol vem perdendo seu reinado.

Enfim…

Inconformada com essa proibição quase absoluta de raios solares, tentei em vão convencer uma amiga dermatologista de que, dentro da minha rotina de autocuidado, estava incluído tomar sol aos sábados, de 8 às 9, numa confortável espreguiçadeira e com um bom livro, seguido de braçadas para garantir um “cardio”, levando de brinde uma corzinha dourada leve e, não menos importante, a D, tão cultuada nos últimos tempos.

Ela, a amiga, fechou o semblante e me repreendeu dizendo que isso não era um bom hábito e que, afinal, eu também era médica e não ficava bem…

Tentei em vão dissuadi-la… E aí vieram os basocelulares e até o temido e cruel melanoma, sem falar do envelhecimento da pele…

Literalmente rendida… Pensando e refletindo… Percebi

quanta coisa perdeu a majestade e o sentido, nesse período planetário marcado por mudanças intensas e rápidas, com o surgimento de novos hábitos, conhecimentos, mundo digital, IAs e até reborns que podem tomar sol, com suas equivocadas e ávidas mães!

Assim, o jeito é colocar minha poltrona na vertical, manter meu cinto afivelado, usar protetor solar (de preferência com cor), fugir do sol

e confiar no Piloto!!!

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Galeria https://luciafenelon.com.br/galeria/ https://luciafenelon.com.br/galeria/#respond Fri, 11 Jul 2025 22:48:43 +0000 https://luciafenelon.com.br/?p=1258 Não me canso delas

as paisagens… àquelas com água, verdes e nuvens… cheias de gentileza 

Como se tudo estivesse em pausa 

e no seu lugar

Uma paz inexplicável me envolve

artista  e natureza fazem essa alquimia

mostram o que está além e invisível aos nossos olhos

Tela de Lucíola Amorim Zico.

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A vida e o rio https://luciafenelon.com.br/a-vida-e-o-rio/ https://luciafenelon.com.br/a-vida-e-o-rio/#respond Fri, 11 Jul 2025 22:41:54 +0000 https://luciafenelon.com.br/?p=1256 A vida e o rio…

Fluem, passam, nunca retornam.

Às vezes, centro veloz;

Outras, às margens, lenta direita e esquerda, pausa breve.

E, enfim, a terceira margem: invisível, transcendente, reveladora,

livre e bela…

No rio da vida e na vida do rio!

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Stand Up https://luciafenelon.com.br/stand-up/ https://luciafenelon.com.br/stand-up/#respond Fri, 11 Jul 2025 22:40:54 +0000 https://luciafenelon.com.br/?p=1253 Hoje, a palavra de ordem é:

Stand up!

Levante, viva, saia do sofá! Não nascemos para ficar sentados esperando.

Se você tem pernas saudáveis que ocupam um terço do seu corpo, pare de lamentar; abrace sua jornada, qualquer que seja ela.

Não espere o tapete voador. Vá a pé, de carro, nadando…

Talvez, ao final, possa planar nele, nas prateleiras e ondas do céu.

Stand up pode ser num paddle, num palco, numa praia, numa trilha… até numa sala.

Fuja da poltrona do domingo; acabe com o velcro de fábrica!

Fuja das grades camufladas,

Saia das suas prisões privadas:

Câmeras, grades, infravermelho, códigos…

Senhas, identificação facial.

Os ventos do norte não movem moinho; não espere por eles.

Faça você…

Antes que a vida passe e você já não tenha mais as saudáveis pernas…

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Michigan https://luciafenelon.com.br/michigan/ https://luciafenelon.com.br/michigan/#respond Fri, 11 Jul 2025 22:38:41 +0000 https://luciafenelon.com.br/?p=1243 Michigan, Lago Grande. 

Universidade, carros, minério e… muito, muito mais. 

Areias, praias, céus de todas as cores, até boreal… Pedras, fósseis, fins de tarde com pôr do sol inesquecível. Vinhedos, trigo, milho… 

Florestas que se confundem com o horizonte, num mar verde sem fim, com incontáveis pinheiros, muitos… 

Cidadezinhas-presépios. 

Casas sem muros, com flores, encantam e convidam. 

Pinceladas francesas, aqui e acolá. 

Águas de toda forma e cor brotam em todo lugar, planas, com ondas suaves. Velas ao “mar” compõem quadros deslumbrantes. 

Gaivotas a todo momento enfeitam e brincam no céu em pontinhos brancos, em mil formas. 

Tordos com seus cantos, peitos laranja e voos rasantes. 

Veados, alces, tartarugas. 

Ursos, glutões… Ah… 

Whitefish, esse delicioso e fresco! 

Pinheiros, florestas e parques se confundem com o horizonte. Hurões com seus barcos navegam num passado distante, tocam nosso imaginário. 

Amish em suas carroças passam em seu mundo distante. 

Michigan, famílias, crianças, sussurram ao meu coração! Grande Lago! Vale a pena conhecer! Já com saudades…

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