Crônica – Lúcia Fenelon | Escritora e Cardiologista https://luciafenelon.com.br Lúcia Fenelon é muitas em uma só: esposa, mãe de um casal de filhos, médica cardiologista, poetisa, observadora de pássaros e da natureza. Sat, 17 Jan 2026 14:33:47 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://luciafenelon.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Logo-Lucia-Site-Preto-150x150.png Crônica – Lúcia Fenelon | Escritora e Cardiologista https://luciafenelon.com.br 32 32 Crônica do Cão Perdido https://luciafenelon.com.br/cronica-do-cao-perdido/ https://luciafenelon.com.br/cronica-do-cao-perdido/#respond Sat, 17 Jan 2026 14:33:46 +0000 https://luciafenelon.com.br/?p=1288 Na minha jornada na Oceania com sobrinhos e prima, estávamos indo para a “City”, em Sydney, na estação de trem Lewishan, quando nos deparamos com um cão perdido, parecia um pitbull!

Meus sobrinhos tentaram trazê-lo para junto de nós, para evitar um acidente.

Fizeram de tudo, comprometendo nosso horário, para conquistar o “animalzinho” e… nada.

O trem chegou a parar mais tempo na estação por conta do bichinho nos trilhos.

Eu, na minha incredulidade, pensava: isso não vai dar certo…

Minha prima, incomodada e visivelmente preocupada, chegou a pedir ajuda aos céus.

Por fim, comunicaram a polícia local.

Eu, cética em relação a uma solução feliz para o tal caso e, de certa forma, até insensível ao sofrimento do cão, de seus donos e dos meus familiares,

permaneci ali tentando dar algum incrédulo apoio.

Foi então que o cão se assustou.

Bateu em retirada pelos trilhos e pelas ruas,

sendo atropelado, mas fora do nosso alcance.

Daí, fiquei mais e mais incrédula em relação ao desfecho do dito episódio.

Ao final, todos inconsoláveis, entraram no trem

para nosso passeio turístico, Museu Australiano de Arte, afinal estávamos de férias.

Nos dias que se seguiram, minha prima, pesarosa, insistia em falar do tal animal, e eu continuava pensando que não havia esperança para ele.

Dias depois, meus sobrinhos, indo para a academia,

quem encontraram?

O cachorro, todo feliz com os seus donos, que contaram que ele havia sido resgatado pela polícia intacto e que, através do chip de uso obrigatório em Sydney, foram localizados.

Disseram que ele não havia fugido, ele queria simplesmente voltar para a sua cidade, temendo que seus donos, em férias, o tivessem abandonado.

Fiquei então pensando, refletindo e aprendendo… existem… “coincidências”, vibrações do bem, conexão do universo, pessoas generosas e, lógico,

            Finais Felizes.

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SOL, OU NÃO SOL: EIS A QUESTÃO https://luciafenelon.com.br/sol-ou-nao-sol-eis-a-questao/ https://luciafenelon.com.br/sol-ou-nao-sol-eis-a-questao/#respond Fri, 24 Oct 2025 13:01:30 +0000 https://luciafenelon.com.br/?p=1279 Indagação quase tão complexa quanto a existencial de Hamlet é esta: tomar ou não
tomar sol? Os dermatologistas que me desculpem, mas tomar banho de sol é um ato quase
divino! Sentir aqueles raios solares envolvendo e aquecendo todo o corpo, diante do mar ou
de uma piscina ou mesmo em um parque pela manhã… é algo que sempre amei. Entretanto,
esse é um hábito que vem sendo cada vez mais posto em questão.


Antes exaltava-se o poder do banho de sol para produção da vitamina D,
fortalecimento do sistema imunológico e melhora do humor. Eram então utilizados livremente
os bronzeadores químicos, os artesanais e até os “naturais” – as famosas folhas de figo, que
causavam tragédias agudas e para a vida inteira, mas que, com sorte, até davam à pele aquela
tão desejada cor dourada. Caladryl nessa época era generosamente usada nos corpos
desavisados e queimados para alívio dos efeitos indesejados.


Com o tempo, os malefícios viraram os protagonistas. Aí vieram os protetores solares
cada vez mais potentes e, agora, estamos na era das películas de insulfilm, de roupas com
proteção contra os raios UVA e UVB, da popular vitamina D industrializada e da máxima:
“Podendo evite o sol”.


Meus filhos, quando bebês, tinham hora marcada para o “religioso” banho de sol, e era
um encantamento só, quase um ritual. Saíamos no início da manhã, baixávamos a capota do
carrinho e íamos aos poucos nos livrando das roupinhas, à medida que o calor aumentava,
expondo seus corpinhos numa dança fantástica… Era uma alegria só: o bebê se deliciava, batia
as perninhas, brincava, e até tomava água antes dos seis meses de vida!


O momento do banho de sol, principalmente quando compartilhado por mãe e filho,
era um momento mágico! Ficavam ali expostos por algum tempo e depois voltavam para
casa, o bebê nutrido e a mamãe satisfeita por ter suprido com maestria a necessidade solar de
seu filho. Agora, me parece que não é mais assim; mãe e filho se contentam com as
recomendadas gotinhas diárias da “D”.


Será que o rei Sol vem perdendo a majestade?


Inconformada com essa proibição quase absoluta de raios solares, tentei em vão
convencer uma amiga dermatologista dos benefícios de minha rotina de autocuidado, na qual
estava incluído tomar sol aos sábados pela manhã, numa confortável espreguiçadeira,

acompanhada de um bom livro – seguido de algumas braçadas para garantir um “cardio” –
ganhando de brinde uma corzinha dourada leve e, não menos importante, garantindo a “D”,
tão cultuada nos últimos tempos.


A amiga doutora cerrou o semblante e me repreendeu de forma grave, dizendo que
esse não era um bom hábito… que, sendo eu também médica, deveria saber disso… que não
ficava bem… e assim por diante. Tentei em vão dissuadi-la, mas aí vieram os incontestáveis
argumentos dos basocelulares e até do temido e cruel melanoma; sem falar do envelhecimento
precoce da pele… Enfim, literalmente rendida, pensando e refletindo, percebi que minha
rotina de autocuidado teria que passar por uma revisão e atualização urgentes.


Passei então a me proteger ainda mais dos temidos ultravioletas; a maximizar meu
“cardio”, acrescido de musculação para trazer tônus, equilíbrio, força e bem-estar; a praticar
meditação (à sombra); a reforçar a alimentação balanceada, e a me contentar em apenas
contemplar os nasceres e pores do rei Sol.


E aí entra outra questão ainda mais controvertida do que simplesmente “sol ou não
sol”: o horário adequado para a exposição, quando, e se, permitida. Mesmo entre os
profissionais mais gabaritados, há os que defendem que o melhor é tomar banho de sol – só
por alguns minutos – entre 10h e 15h, quando os raios UVB, amigos da vitamina D, estão
mais intensos. E há os que afirmam que nesse período os ultravioletas são mais fortes, o que
vai na contramão do autocuidado, pois aumenta os riscos de câncer de pele, envelhecimento
precoce, queimaduras solares… Enfim, se tem a “D”, tem UV; se diminui o UV, reduz
também a “D”. E, ainda assim, depende do histórico familiar, do tipo de pele, da região
geográfica, da etnia, do peso corporal…


É, e  quanta coisa perdeu a majestade e o sentido, nesse período planetário marcado
por mudanças intensas e rápidas, com o surgimento de novos hábitos, novos conhecimentos,
mundo digital, IAs, e até reborns, que, estes sim, podem tomar sol, com suas ávidas e
equivocadas “mães”!


Diante de tudo isso, o jeito é usar meu protetor solar, de preferência com cor pra
garantir barreiras química e física… acatar as recomendações do meu dermatologista…
colocar minha poltrona na vertical, manter meu cinto afivelado… e confiar no piloto!

COLIBRI

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